O Gerente

por Marcial Salaverry

Cláudio Cristovam Pinho. Quem se lembra desse grande craque de nosso futebol? Sem dúvida um dos maiores pontas-direita que tivemos no Brasil. por motivos meramente políticos ficou de fora das seleções de 1950 e 1954, quand oestava no auge, formando uma linha infernal da qual todo corintiano que se preze tem que lembrar com muita saudade: Cláudio, Luizinho, Baltazar, Carbone e Mário.

Cláudio era o "gerente" desse ataque. Incrível a precisão de seus centros, que transformaram um jogador tosco, como Baltazar num dos maiores artilheiros que o Corinthians já teve. Cláudio fechava pela ponta direita, já corria com a cabeça erguida. Não precisava olhar a bola que, obediente, "grudava" na sua chuteira. Olhava para a área e lá ia o centro direitinho para a cabeça de Baltazar e já era meio gol. Nas cobranças de falta então, era um Deus-nos-acuda. Quando Cláudio chegava perto da bola, os goleiros tremiam. Dificilmente o chute ía para fora. Ou o goleiro defendia ou então... CAIXA!

Bem, apesar dessa categoria toda, aliada à inteligência acima da média, nunca foi lembrado para as seleções. Aliás, pode-se acreditar que realmente o que atrapalhava era sua inteligência, porque tinha sua maneira própria de ver as táticas do jogo, o que logicamente, desagradava aos "Luxemburgos" da época (como até hoje).

Enfim, Cláudio encerrou sua carreira numa rápida passagem pelo São Paulo, ainda desfilando sua categoria.

Agora, Cláudio tranferiu-se para a grande seleção divina que comprou há pouco o passe de Barbosa. Não tenho dúvidas de que Cláudio fará grandes jogadas e que também não esquecerá de jogar algumas partidas de tamboréu com os colegas que já lá estão.

Cláudio, aqui ficam as saudades de quem, apesar de não ser corintiano, sempre apreciou seu futebol refinado e de muita categoria. Descanse em paz.

PS.: Tamboréu é um esporte praticado nas praias de Santos.

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