Olimpíadas

por Marcial Salaverry

Muito se escreveu antes, sobre as possibilidades de medalha de nossos atletas. Nossa ufanista imprensa dizia que esta seria a melhor Olimpíada para nossas cores. Ganharíamos em quase tudo. Nossa preparação estava fenomenal. No volei, então seriamos imbatíveis. Jogaram sobre nossos atletas o manto da invencibilidade. Finalmente seriamos os grandes vencedores. Somente se esqueceram de avisar os adversários, e o resultado foi o que viu... Agora todos estão percebendo que o buraco era mais embaixo. Enquanto nós nos convencíamos de que seriamos imbatíveis, os adversários se preparavam técnica, física e psicologicamente para os embates. Quando os Jogos Olímpicos começaram, nossos atletas sentiram a realidade. Tudo começou com a natação. Nossos rapazes são realmente bons, mas não tiveram a mesma preparação dos australianos, americanos, holandeses, e o resultado foi o que todos viram. Diziam que ganharíamos 6 ou 7 medalhas. E foi só aquela do revezamento, e olhe lá... A responsabilidade jogada sobre as duplas de volei de praia que, realmente, são de primeiríssimo nível, as assustou. Na hora de "cumprirem o dever para com a pátria", não tiveram o equilíbrio emocional para confirmar a superioridade. Tanto as duplas masculinas como as femininas se jogarem mais 500 vezes contra os vencedores, devem ganhar, pelo menos, 499. Faltou simplesmente o apoio moral que lhes poderia dar a tranquilidade necessária. Foi muita coisa jogada sobre seus ombros. A tal de "obrigação para com a pátria", a "necessidade de ganhar a medalha de ouro para o País", afetou inclusive a tranquilidade de atletas super experientes e vencedores como Robert Scheidt, Torben Grael, Rodrigo Pessoa, que acabaram cometendo erros que lhes custaram caro. Talvez, se eles tivessem encarado as disputas como um fato corriqueiro, ao invés da "necessidade de vencer", os resultados seriam diferentes. Quem sabe ? O futebol masculino...bem aí o carro pega. É assunto para um segundo capítulo. Aguardem...Enfim, se alguém quiser encontrar "culpados" para as derrotas, que tal "culparem" os adversários, que tiveram melhor preparo físico, emocional. Melhor apoio para os treinamentos. Menos badalação... Quem sabe os resultados desta Olimpíada possam abrir os olhos dos responsáveis e, em futuras competições nossos atletas possam ter um treinamento adequado, ao invés de uma ufania enganosa, um treinamento real e positivo.

Quem viver, verá...

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