Amor à camisa

por Marcial Salaverry

Para uma coisa esse torneiozinho sem-vergonha, cognominado de Vergonhão 2000, serviu. Para mostrar que acima de tudo, o fator "amor à camisa" e "vergonha na cara" ainda existem... e funcionam.
Basta que se compare o desempenho de equipes sem grandes valores e que, justamente por isso procuraram defender seus times com alma e disposição, dando, como se diz, a cara para apanhar e um exemplo claro e nítido é o Palmeiras, cujo técnico soube puxar os jogadores, dando-lhes moral e incutindo neles uma garra incrível, fazendo-os sair do buraco em que estavam, para as finais, não só do Arco Íris, como também da Mercosul... haja disposição. E esse tal de Galeano? Que garra, que disposição... desprezado pelos dirigentes e pela torcida, deu uma volta por cima digna dos maiores elogios, mostrando que vergonha na cara e amor à camisa superam eventuais deficiências técnicas. Parabéns Galeano e Parabéns Palmeiras (e não sou palmeirense...).
Em contraposição, o tremendo papelão proporcionado por Flamengo e Corinthians, também são dignos de nota... pois a falta de vergonha na cara, a displicência demonstrada em campo pelos jogadores dessas duas equipes, constituem um dos maiores exemplos do que NÃO deve ser feito. Afinal de contas o apoio apaixonado e fanático que as torcidas dessa duas equipes sempre demonstram, merecia algum retorno... pelo menos um resquício de amor à camisa, de vergonha na cara... e não um vexame tremendo como o que eles proporcionaram... chega a ser comovente o sofrimento de flamenguistas e corintianos... sem dúvida alguma, o que de melhor pode ser feito é um repúdio total, tanto a dirigentes, que levaram os clubes a essa triste condição, como e principalmente, aos jogadores desfibrados que aceitaram passiva e calmamente essa situação, sem ao menos mostrar sinais de luta, de pejo. Gente... foi uma das maiores vergonhas do... Vergonhão 2000.line1.gif (910 bytes)