Campeonato Mundial de Fut-Sal

por Marcial Salaverry

Tivemos no último domingo a decisão do Campeonato Mundial de Fut-Sal, disputado na Guatemala (por que lá ?).
O selecionado brasileiro ao longo do campeonato mostrou que estava sobrando lá... Muito superior tecnicamente a todos os concorrentes. Vinha jogando com muita seriedade, e parecia não haver a menor dúvida de que seríamos campeões, aliás, seria o hexa-campeonato. Nos cinco mundiais anteriores só deu Brasil e neste, não poderia ser diferente, não poderia... mas... o inacreditável aconteceu... o título (protestado) terminou nas mãos da Espanha... e por que?
Simplesmente porque a mesma Seleção Brasileira que em partidas anteriores mostrou uma enorme seriedade e determinação, não se sabe porque, entrou de salto alto para esta partida. Quem assistiu às partidas anteriores, só podia elogiar a seriedade e determinação da equipe. Basta lembrar que, por exemplo, no jogo contra a Guatemala, com o placar assinalando 27x2 (isso mesmo, 27x2) para o Brasil, nosso craque Manoel Tobias (o Pelé do futsal), partia para cima dos adversários, correndo o campo inteiro e entrando nas divididas, como se estivesse 0x0.
Todavia, na grande decisão contra a Espanha, nossos craques trocaram de calçado... entraram em quadra de salto alto... futebol de salão, numa quadra, de salto alto... não dá... escorrega muito.
Aí, o que se viu foi uma seleção espanhola, cônscia de sua inferioridade técnica, mas com uma determinação e uma garra incríveis, partindo para cada jogada como se suas vidas dependessem disso, contra a apatia brasileira. Nossos jogadores não se impressionavam com a "Fúria Espanhola". Pareciam estar mais do que cientes de que no momento em que realmente quisessem decidiriam o jogo, tal a disparidade técnica entre as equipes. E tome jogadas de efeito, e tome toquinhos de calcanhar, e tome salto alto. Quando as coisas começaram a ficar pretas, aí então complicou tudo. Quando perceberam que o buraco era mais embaixo, cada um quis resolver sozinho, para ser o herói do título... E o resultado foi o que se viu. Conseguiram perder para a Espanha por 4x3. Foi, mais uma vez, a vitória da determinação contra a apatia... a vitória da garra, da disposição, contra o convencimento e a auto-suficiência.
Esperamos que essa derrota sirva de lição, evitando que se repita no futuro. Aliás, tivemos coisa parecida em 1950 e parece que brasileiro não aprende que decisão é decisão... uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa... Numa decisão, o que manda é a DETERMINAÇÃO. Técnica ajuda também... mas sozinha, não resolve e já tivemos inúmeras lições nesse sentido. Não adianta ser o melhor, se não tiver VONTADE DE VENCER. Liçãozinha essa que precisa também ser ensinada às grandes vedetes de nosso futebol de campo...line1.gif (910 bytes)