Futebol Brasileiro... ainda vive

por Marcial Salaverry

Nesta virada de século, estão acontecendo coisas estranhas no futebol brasileiro.
Inicialmente, podemos falar da aparentemente inexplicável subida de diversos clubes ditos "pequenos", paralelamente à queda de outros, ditos "grandes".
Estariam os pequenos realmente crescendo ou o que realmente ocorre é um declínio dos chamados grandes, provocando um nivelamento por baixo. Acredito mais nesta segunda hipótese, por razões diversas.
Inicialmente há que se falar sobre a péssima administração que praticamente todos os grandes clubes estão sofrendo. Só se fala em escândalos, envolvendo Vasco da Gama (o campeão), Flamengo (não fica atrás), São Paulo, Palmeiras, Grêmio (em menor escala). Enfim, isso é de conhecimento geral e ficaria cansativo enumerar e comentar sobre o óbvio.
O que acontece é que para aumentar a Caixa 2 e tentar equilibrar a receita dos clubes, o que os dirigentes desses grandes mais procuram fazer são negócios (e negociatas) com todo e qualquer jogador que comece a se destacar um pouco, contando para isso, com a "ajuda" inestimável de certos empresários (já bem conhecidos) que, como urubus estão sempre voejando sobre os clubes procurando a próxima carniça.
Vamos ver como essas figuras vão encontrar algum método para burlar a tão decantada "lei do passe". Tenho certeza de que os advogados estão debruçados sobre os alfarrábios procurando achar meios de fuga. E acabarão encontrando, não duvidem.
Bem, agindo assim, os dirigentes estão sempre vendendo os valores que vão surgindo e tirando o espírito de conjunto das equipes, propiciando o crescimento das equipes pequenas que estão se destacando no cenário nacional atualmente.
Há que se salientar, inclusive, que a base dessas equipes pequenas geralmente é formada por jogadores que passaram pelas grandes e, depois de perambularem pelo mundo, estão de volta e com destaque. Este é um ponto para futuros debates.
Outro fator altamente negativo é o calendário maluco, com diversos torneios simultâneos, provocando desgaste nos principais jogadores, que, em entrevistas, chegam a se confundir sobre a partida que será disputada naquele dia, a qual campeonato pertence...
Enfim, o que se pode apresentar como solução, é juntar todos esses dirigentes, mais os presidentes de federações, colocá-los em um container bem fechadinho e jogá-los em alto mar. 
Quem sabe, se recomeçarmos do zero conseguiremos melhorar a coisa, deixando o futebol brasileiro no patamar em que se encontrava na longínqua década de 60, quando aqui, realmente se praticava o melhor futebol do mundo...

line1.gif (910 bytes)