Prêmio Fair Play do futebol

por Marcial Salaverry

Esta virada de século apresentou uma novidade no futebol brasileiro. 
Em diversos estados houve um crescimento muito grande de clubes tidos e havidos como "pequenos" e que deram lição de como se faz para vencer no esporte sem necessidade de grandes investimentos, de contratações de craques famosos, mas de qualidade duvidosa.
Aliás, grande parcela de culpa cabe aos próprios torcedores, que a uma simples derrota de seus clubes, põe-se a bradar insanamente que "queremos jogadô" . Ora, e os que estão lá no campo, cumprindo seu papel, são o que? Ontem ídolos, hoje lixo, amanhã ídolos de novo. Fazer o que? Dirigentes saem à cata de jogadores de nome, só para contentar a torcida e os resultados não têm sido bons.
Esse fenômeno de crescimento dos "pequenos" ocorreu um todo o Brasil. Vamos falar do que ocorreu no Estado de São Paulo, em que diversos clubes pequenos chegaram até a última rodada, disputando o direito de jogar as semifinais do Campeonato Paulista. Dentre eles, chegaram lá a Ponte Preta, de Campinas e o Botafogo, de Ribeirão Preto. 
O interessante é que foram duas equipes que adotaram filosofias diferentes. A Ponte, montou sua equipe tendo uma base de jogadores veteranos e que não vinham tendo oportunidades nas grandes equipes. Formaram um conjunto de respeito, que chegou às semifinais, como líder do Campeonato. 
Já o Botafogo, montou uma equipe jovem, cuja maioria é de "pratas da casa", que mostraram um brio, uma garra incríveis em quase todas as partidas disputadas.
Sobre o Botafogo, cabe um capítulo a parte. Normalmente essas equipes pequenas exageram na garra e disposição, apelando para jogadas faltosas na maioria das vezes.
Seus técnicos geralmente mandam que "se baixe o sarrafo", pois "temos que ganhar custe o que custar". O Botafogo foi um caso à parte.
Mesmo que não consiga o título de Campeão Paulista (acredito que, exceção feita aos corintianos, tem a torcida geral a seu favor), merece os maiores elogios, não só por estar decidindo o título paulista, mas também e principalmente por ter sido a equipe mais disciplinada do Campeonato.
A FPF, juntamente com o Panathlon Club houve por bem criar este Troféu Fair Play, premiando assim as equipes que mostram lisura e esportividade.
Neste ano, o detentor do troféu será o querido Botafogo F.C. de Ribeirão Preto, merecendo os parabéns de toda a coletividade esportiva.
Desejamos parabenizar os jogadores riberopretanos pelo excelente resultado, chegando à final do Campeonato Paulista (e porque não ao título?), mostrando uma garra incomum, pois na sua maioria, seus resultados foram "arrancados" a fórceps. 
Devem ser duplamente parabenizados, pelo Troféu Fair Play conseguido. Mostraram assim que garra, disposição e espírito de luta, nada tem a ver com violência. Que esse exemplo frutifique, para ver se assim diminui essa violência desmedida que vemos em nossos campos atualmente, refletindo também na própria Seleção Brasileira.
Parabéns ao técnico Lori Sandri por ter sabido incutir nessa rapaziada briosa que grandes resultados também são conseguidos simplesmente jogando futebol. Diga-se de passagem, que as partidas disputadas pelo equipe botafoguense foram jogos agradáveis de se ver, com um futebol limpo, ofensivo, sem retrancas, emocionantes, pois até o último segundo da partida, disputavam a bola como se o jogo estivesse se iniciando. Aliás, a maioria de suas partidas foram decididas nos últimos minutos, numa clara demonstração de que estavam imbuídos da mais férrea determinação de vitória, só acreditando que a partida terminariam com o último apito do juiz. 
Quem sabe poderá começar aí o resgate do futebol brasileiro...
Essa combinação perfeita de técnica, disciplina, garra, disposição e espírito de luta.
Desejamos informar a todos que, no próximo dia 23/5, quarta feira, o Panathlon Club São Paulo estará entregando, no Clube Espéria, a partir das 19h30, em jantar-convívio, o Troféu "Fair Play" desta temporada ao Botafogo FC de Ribeirão Preto.

PARABÉNS BOTAFOGO F.C. - PARABÉNS RIBEIRÃO PRETO.

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