Leônidas da Silva

por Marcial Salaverry

Sem favor nenhum, um dos maiores (se não o maior) centro avante que o futebol brasileiro já teve.
Os mais saudosistas poderão falar em Friedenreich. Outros poderão se lembrar de Ademir de Menezes, de Heleno de Freitas e outros tantos, mas como Leônidas da Silva... Não houve nenhum.
Acabei de ler no jornal "O Lance" de hoje, dia 25/06/2001, uma comovente reportagem sobre esse grande craque, hoje com 87 anos, que se encontra internado na Clinica Geriátrica São Camilo, em estado grave, atacado pelo Mal de Alzheimer. Felizmente a Diretoria do São Paulo F.C. paga todas as despesas hospitalares, garantindo o tratamento deste que foi um de seus melhores jogadores.
Foram inúmeros os títulos que Leônidas ajudou o tricolor paulista ganhar.
Os frios dados estatísticos não valem a pena ser comentados, é fácil consegui-los.
A figura de Leônidas é rica em detalhes interessantes.
O apelido de Diamante Negro caiu-lhe como uma luva. Realmente tinha o valor e consistência de um diamante bruto.
Na Copa do Mundo de 1938, foi o artilheiro máximo e o principal jogador brasileiro. Por estar machucado, não jogou contra a Itália e o Brasil perdeu esse jogo, perdendo a chance de ser o Campeão Mundial. Encantou tanto os franceses, que foi apelidado de Homem de Borracha, tal a elasticidade que mostrava em campo.
Em 1942, quando foi contratado pelo tricolor, naquela que foi durante muito tempo a transferência mais cara do futebol brasileiro, já era veterano. A imprensa paulistana criticou a transferência, dizendo que o São Paulo comprara um "Bonde" (para quem não sabe, naquele tempo, os vigaristas sempre vendiam bondes às suas vítimas), pois se tratava de um jogador em fim de carreira.
Só que Leônidas jogou até 1950 pelo tricolor, sendo sempre o destaque do time, num ataque que ficou mais do que famoso: Luizinho, Sastre, Leônidas, Remo e Teixeirinha.
O importante é que todos aqueles que tiveram o privilégio de ver Leônidas em ação, sempre se lembrarão da qualidade de seu futebol.
Artilheiro por excelência, tinha um "faro" de gol impressionante. Sempre estava na hora certa, no lugar certo. Além disso, era dotado de técnica apurada, e deixava seus marcadores malucos.
Jogador temperamental, empenhava-se com muita dedicação em campo, ao mesmo tempo que sempre arrumava confusão com adversários, com suas provocações geniais.
Nunca engoliu passivamente determinações de diretores ou de técnicos. Sabia o que fazia em campo e o fazia muito bem, mesmo contrariando ordens superiores. E sempre conseguiu êxito.
Suas jogadas mortíferas até hoje são lembradas. Foi o criador da "bicicleta". Essa jogada, aliás, está imortalizada na sala de troféus do São Paulo.
Disputou 8 vezes o Campeonato Paulista, foi campeão em 5 oportunidades e em todos esses títulos teve muito de Leônidas da Silva. Mereceu mesmo ser imortalizado na Sala de Troféus do Morumbi.
Ao encerrar a carreira de jogador, deixando um vazio imenso no coração da torcida, tentou ser técnico, ou dirigente, mas seu temperamento agressivo não permitiu que tivesse êxito nessas funções. Como comentarista esportivo, apesar de seu temperamento forte, conseguiu muito sucesso, tendo ganho diversos prêmios.
Desejo parabenizar o jornal "O Lance" pela belíssima reportagem, resgatando a figura de Leônidas da Silva, hoje recolhido a um leito de hospital.
A figura deste grande jogador mereceu essa homenagem.
Desejo parabenizar também a Diretoria do São Paulo, por estar cobrindo todas as despesas hospitalares e sem fazer alarde ou propaganda disso. O reconhecimento é uma das grandes virtudes humanas. E o São Paulo F.C. deve muito a Leônidas da Silva.
André Ribeiro, autor da biografia de Leônidas, o livro "O Diamante Eterno", também está empenhado na produção de um documentário sobre a vida deste grande jogador; merecendo encômios por esse empreendimento. Temos que mostrar reconhecimento a um grande atleta.
Espero que tenha muito êxito, amigo André Ribeiro.
Tenha muita sorte, Leônidas da Silva e obrigado pelo muito que você fez ao esporte brasileiro.

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