Bernardinho e Felipão... ou Felipinho e Bernardão?

por Marcial Salaverry

Tivemos duas emoções diferentes nesta fim de semana. Por um lado, um trabalho feito com consciência e tempo, fruto de um calendário bem elaborado e, como resultado o sucesso do voleibol. Por outro lado, um trabalho feito sem consciência e sem tempo, fruto de um calendário mal elaborado e, como resultado o fracasso do futebol.
Inicialmente, vamos falar do voleibol masculino e do carisma do técnico Bernardinho, um autêntico vencedor, que já havia colocado o voleibol feminino em alturas nunca antes sonhadas. Tem competência, sabe armar uma equipe como ninguém, sabe como motivar seus jogadores, sabe explorar o talento individual de cada um, sendo esse aliás, um de seus grandes segredos. Não inventa. Cada um em sua função, e claro, sabendo desempenhar um pouco de cada uma das outras funções, ou seja, Nalbert, um atacante nato, defende muito bem e bloqueia melhor ainda. Bem explorado em sua função específica, também desenvolveu outras funções. Esse é o segredo de Bernardinho.
Favorecido por um calendário inteligente que permitiu ter os jogadores convocados à sua disposição por tempo integral, conseguiu treiná-los convenientemente e conseguiu transmitir direitinho sua maneira de jogar. Imprimiu à equipe, sua filosofia vencedora. 
Soube mesclar com inteligência a experiência de alguns veteranos com a garra, a disposição e a técnica de alguns novatos, que souberam aprender o que os mais experientes lhes transmitiam sobre os segredos das competições.
O resultado foi essa equipe técnica, homogênea, e sobretudo valente, tendo conseguido reverter situações altamente desfavoráveis. 
Só nos resta parabenizar a CBV pelo calendário inteligente, ao "gênio" Bernardinho pela maneira como montou e armou a equipe, e principalmente aos jogadores por terem executado com tanta perfeição o que lhes foi passado por Bernardinho.
Esse é o segredo: ORGANIZAÇÃO, TÉCNICA E DISPOSIÇÃO.
Quanto ao futebol, dizer-se o que, que já não seja de conhecimento de todos.
Devido a um calendário muito mal elaborado que marca competições importantes paralelamente, obrigando jogadores e equipes a incríveis maratonas sem nexo nem sentido. Marca-se um Campeonato Brasileiro sem que se veja a tabela de outras competições, chegando-se ao cúmulo de uma mesma equipe jogar duas vezes no mesmo dia. Principalmente, existe outro fator agravante. Não existe conciliação com os campeonatos europeus. E como nossos principais jogadores estão lá, as convocações são sempre prejudicadas. Não existe tempo para treinamento.
Para complicar mais ainda, a mudança de técnicos, acaba de fundir a cuca dos jogadores. A cada convocação, um novo técnico, com uma nova filosofia de trabalho. Convenhamos, passar-se de um futebol "factóide", para um futebol "bailarino", e agora um futebol "bandido", é dose. 
Já está mais do que provado que certos nomes não tem mais condições de jogar pela Seleção Brasileira. Embora com risco de ficar-se fora do Campeonato Mundial, existe a necessidade de fazer-se algo no sentido de um melhor aproveitamento dos jogadores que ainda estão no Brasil. Com estes, existe a possibilidade de se fazer algum tipo de treinamento que lhes permitam assimilar a estratégia do técnico, havendo assim, alguma possibilidade de se montar uma seleção que enfim jogue o futebol "futebol" e consiga essa bendita classificação, nem que seja na repescagem. Mas que seja uma seleção que seja montada e mantida, para que os jogadores ao menos se conheçam... E, pelo amor de Deus, Felipão não inventa. Roque Júnior como meio campista... Uma das posições que mais temos bons jogadores no Brasil, o homem vai por Roque Júnior... Por que não experimentou o Euller como goleiro? E o Rivaldo como gandula?
Será que conseguiremos essa bendita classificação? Quem viver, verá...

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