Ainda o saudosismo

por Marcial Salaverry

Olhando para o passado, encontramos muito nomes que por diversos motivos não encontraram substitutos, dando razão para que as pessoas sintam bem aceso um sentimento saudosista.
Apesar de todas as facilidades que existem atualmente, ninguém conseguiu superar o brilho de diversos atletas do passado.
Vamos procurar relembrar alguns desses nomes, numa tentativa de não deixá-los cair no esquecimento a que estão sem relegados.
Tenho quase certeza de que muitos jovens sequer ouviram falar nesses nomes, que tantas glórias trouxeram para o esporte brasileiro.

ADHEMAR FERREIRA DA SILVA. Sem dúvida alguma, a figura maior do atletismo nacional. Conseguiu feitos jamais igualados. Campeão olímpico do salto triplo em duas Olimpíadas consecutivas, ou seja, 1952 em Helsinque e 1956 em Melbourne. Como prêmio, ganhou um aviso de demissão da Prefeitura de São Paulo. O então prefeito janio quadros (o minúsculo é proposital), não considerou como motivo justo o fato de defender o Brasil na Olimpíada... Nosso querido Canguru jamais foi igualado. Saudades...

JOSÉ TELLES DA CONCEIÇÃO. Não foi tão brilhante quanto Adhemar, mas foi brilhante no salto em distância, tendo obtido a medalha de bronze em Helsinque. Ainda não tivemos outro resultado semelhante nessa modalidade.

TETSUO OKAMOTO. O maior fundista da natação brasileira. Medalha de bronze nos 1500 mts na Olimpíada de Helsinque. Em provas de fundo continua insuperável.

MARIA ESTER BUENO. Sem favor nenhum a maior tenista brasileira de todos os tempos. Bicampeã do Torneio de Wimbledon, entre inúmeros outros feitos memoráveis.
Seus resultados ainda não foram superados nem mesmo por nosso querido Guga. Se falarmos apenas do tênis feminino, não existe qualquer termo de comparação com nenhuma outra tenista brasileira.

CHICO LANDI. O verdadeiro "Pai" do automobilismo brasileiro. Dentro das limitações da época e da absoluta falta de condições de que dispunha, conseguiu resultados épicos, figurando como um dos grandes nomes do automobilismo mundial.

MANOEL DOS SANTOS JR. Único destaque brasileiro na Olimpíada de Roma, em 1960. Medalha de Bronze nos 100 mts livres. Também foi um grandes destaques da natação brasileira, num tempo em que não haviam patrocínios, e o apoio do Governo era zero.
Os atletas que conseguissem algum destaque, é porque tinham realmente muito talento e garra, e principalmente, muito amor ao Brasil.

GUILHERME PARAENSE. Medalha de ouro, na prova de Tiro com revólver, na Olimpíada de Antuérpia, em 1920. Há que se ressaltar que teve de competir com arma emprestada pelos norte-americanos, pois não tinha sequer o revólver, para poder competir...E ganhou.

Em esportes coletivos, também tivemos grandes nomes, como ALGODÃO, UBIRATAN, VLAMIR MARQUES, ROSA BRANCA, que conquistaram grandes glórias para o basquete brasileiro. Foram bicampeões mundiais, vencendo russos e americanos, num feito jamais igualado por nosso basquete, de há muito carente de grandes títulos.

No futebol, a lista do passado é grande e vai merecer um capítulo à parte, tantos são os nomes a recordar.
Estou procurando resgatar glórias antigas, para que não sejam esquecidas, e que sirvam de exemplo para os atletas de hoje, que desfrutam de muitas regalias jamais sonhadas por esses atletas, cujos resultados foram conseguidos à base de muita garra, muita força de vontade, e, principalmente muito amor às cores brasileiras.
Não dispunham do menor apoio, da menor infra estrutura. A existente atualmente, apesar de precária, está muitos furos acima do que havia na época, e mesmo assim esses heróis conseguiram marcas jamais igualadas, que dizer então superadas.
Estamos devendo um preito de saudade aos que já estão competindo em outros planos, e um preito de reconhecimento aos que ainda estão entre nós.

PARABÉNS, VERDADEIROS HERÓIS BRASILEIROS.

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