Despedida

por Daniel Seabra

E os gramados deram adeus a dois dos maiores craques do futebol mundial de todos os tempos, Raí e Maradona. Este último é sempre questionado sobre sua capacidade devido ao grande abuso no uso das drogas. Realmente Maradona usou drogas por muitos anos, e não esconde isso de ninguém. Mas ele já esteve em um clínica de desintoxicação e abandonou este vício. E, de mais a mais, se fossemos analisar a vida e a carreira de um jogador pelo que ele fez fora de campo, então o nosso grande craque, o Mané Garrincha, não foi nada? Todos sabemos que ele foi alcoólatra durante grande parte de sua vida. E todos sabemos que se trata de um dos maiores jogadores brasileiros de todos os tempos, independente de seu vício. Então, por que não nos reverenciarmos diante a maestria de Dom Diego Armando Maradona?
Simplesmente pelo fato de ele ser argentino, poderiam dizer alguns. Todos sabemos da rivalidade Brasil X Argentina, e eu confesso que não sou nem um pouco fã de nuestros hermanos porteños. Mas que a seleção deles é a melhor do mundo, disparado, atualmente, é. E fazer o que? Fingir que não estamos vendo? O mesmo se aplica a Maradona. Vamos fechar os olhos e fingir que não ficamos boquiabertos com as belíssimas jogadas de Dieguito?
Outro dia, em uma acirrada discussão de mesa de boteco, estava relembrando com alguns amigos qual o gol mais bonito que todos se lembravam naquela hora, rápido, sem pensar muito. Eu não preciso nem pensar, o gol mais bonito que eu já vi foi justamente um de Maradona, na Copa de 86, no México, em um jogo da Argentina contra a Inglaterra, o mesmo que ele fez o gol com a ajuda da "mão de Deus". Mas eu me refiro ao outro gol, que Diego pega a bola antes do meio campo, passa por quase todo o time inglês e toca para o gol vazio, depois de driblar também o goleiro.
Portanto, não temos o que o que questionar, Maradona é um dos maiores craques do futebol mundial, sim. Pelos números, o nosso Pelé é, de longe melhor que ele, mas não cabe, em matéria de jogadas e gols, nem a nós brasileiros, nem aos argentinos questionar a capacidade dos dois. A polêmica, como disse o próprio Pelé, foi feita pela imprensa. São dois grandes jogadores, excepcionais atletas e ponto final.
Outro que deu adeus aos gramados é, também, um grande craque do futebol mundial. Para a tristeza dos amantes do futebol arte, bem jogado, Raí também deu adeus ao esporte bretão.
Depois de uma vitoriosa carreira desde o começo, no modesto Botafogo de Ribeirão Preto, até o final de carreira em um dos maiores clubes do futebol mundial, o Paris Saint Germain, Raí sempre foi reverenciado aonde passou.
É um dos maiores ídolos da torcida são-paulina e um dos maiores jogadores da história do tricolor paulista. Sua despedida oficial foi organizada pelo clube francês, que tem pelo brasileiro grande apreço e admiração. Por que o São Paulo também não organizou um jogo de despedida para o craque? Está provado, mais uma vez, que o Brasil é um país sem memória.
Além de ser um craque dentro de campo, Raí também se preocupou em bater um bolão também fora das quatro linhas. Em parceria com o também são-paulino Leonardo, criou uma fundação para ajudar menores carentes, que se chama gol de letra. Aliás, um golaço de placa.
Foi preciso um brasileiro receber uma homenagem tão justa na França, já que os próprios dirigentes do clube brasileiro não se tocaram para o "detalhe" de uma homenagem a esse que foi um dos maiores jogadores do São Paulo.
Mas de qualquer forma, não importa. Só é necessário destacar que Raí era um dos últimos jogadores que ainda apresentavam o chamado futebol arte, em meio a tantos brucutus do futebol brasileiro que estão em atividade.
Para finalizar, obrigado Raí e Maradona pelos gênios que vocês foram! O futebol mundial agradece por tudo o que vocês fizeram por ele, e todos torcemos para que vocês continuem suas vidas, sendo muito felizes, pois vocês merecem. Estamos torcendo ainda para que, no presente e no futuro, apareçam pelos gramados do mundo, novos Maradonas e Raís.

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