Dois temas tristes

por Marcial Salaverry

A Seleção Divina recebeu mais um considerável reforço. Depois de Vává, o Amigão resolveu convocar um dos maiores craques que já pisou um campo de futebol.
Tomás Antonio da Silva, nosso querido Zizinho, ou melhor, o grande Mestre Ziza. Tratava a bola com um carinho todo especial e ela, amante fiel, obedecia todos seus toques e caprichos. Zizinho abusava de sua técnica quase incrível. Tinha um domínio de bola que bem poucos no mundo conseguiram desenvolver. Fazia o que queria com a "redonda" nos pés.
Apesar de ser um jogador essencialmente técnico, sabia defender suas canelas como ninguém. Seus marcadores evitavam entradas mais duras, pois sabiam que o revide viria. E como Zizinho sabia bater quando queria "caçar" alguém... Chegou a quase inutilizar Afonsinho, um zagueiro que abusava da virilidade. Acertou Ziza, e teve o troco.
Começou no Bangu, depois no Flamengo, onde conseguiu seu maior destaque. Na Seleção Brasileira teve sua grande frustração, ao perder a Copa de 1950 naquele célebre jogo com o Uruguai. Por capricho do destino, uma das maiores seleções que o Brasil já teve não conseguiu o título. Fazer o que? Não estava escrito.
Aos 36 anos, em 1957 veio para fazer o São Paulo F.C,. o grande Campeão Paulista daquele ano. O tricolor não estava fazendo uma boa campanha. Bastou a presença do Mestre Ziza para galvanizar o time. Com sua técnica apurada e seu futebol refinado, transformou aquela equipe, que vinha jogando um futebolzinho medíocre, num time vencedor.
Assim era Zizinho, mestre da bola, agora convocado para a Seleção Divina.
Descanse em Paz, Mestre Ziza, e não ligue para o papelão da diretoria do Flamengo. Esses que estão dirigindo o Mengão, não estão à altura das tradições do clube... mentes pequenas, dirigindo um grande clube.

Outra história triste e revoltante, envolveu Roberto Dinamite, um dos maiores jogadores que já vestiu a camisa do Vasco da Gama.
Fato que é de conhecimento geral, fartamente noticiado pela Imprensa, que não poupou críticas severas à atitude do atrabiliário ditadorzinho que está mandando no Vasco.
Não dá para entender como essas coisas podem acontecer... mas acontecem.
Roberto, não se incomode com isso. Coisas como essa acontecem quando o despeito e a inveja funcionam. Essa "pessoa" não consegue digerir que você tenha tanto prestígio, conseguido com sua postura digna como atleta e como dirigente.
Garoto, tenha certeza de uma coisa. Daqui a 10, 20 anos, todos vão saber que Roberto Dinamite foi um dos jogadores que defendeu com invulgar brilho as cores vascaínas, ainda vão se lembrar disso e seu nome ainda será cultuado, ao passo de que tal de Eupobre de Espírito, somente poderá ser citado como um dos piores dirigentes que já existiram no futebol brasileiro e será lembrado por quase ter conseguido acabar com o Vasco da Gama.

Quem viver, verá...

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